Um passeio pelo Madrid de Almodóvar

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  • A Madrid de Almodóvar
  • A chegada de Almodóvar a Madrid
  • Uma cidade unida a um realizador
  • A evolução de Madrid através de Almodóvar

Ao ver os filmes de Pedro Almodóvar, o espectador curioso pode divertir-se procurando reconhecer os recantos e cenários da cidade. Alguns destes lugares converteram-se em ícones do universo almodovariano. Outros, por outro lado, resultam mais difíceis de situar. A seguir revelamos-lhe algumas curiosidades sobre muitos dos centos de lugares que formam parte da Madrid de Pedro Almodóvar.

As casas da M-30

No final de “O que Fiz Eu para Merecer Isto?” (Qué he hecho yo para merecer esto?) A câmara ia-se afastando dos enormes blocos em que viviam os protagonistas do filme, e as casas perdiam-se no mar de edifícios da grande cidade. Os três blocos de habitação erguem-se junto à M-30, muito perto da mesquita, no bairro de La Concepción, e tinham atraído a atenção do cineasta Pedro Almodóvar muitos anos atrás: “quando trabalhava num armazém da Telefónica, perto de Fuencarral, passava todos os dias pela M-30. Sempre me impressionaram essas enormes colmeias que se erguem sobre a autoestrada”.

La Bobia

Olhares provocadores e muitos encontros na atual cafetería Wooster (Duque de Alba, 3), em El Rastro. Lugar mítico da Movida e fundamental no “Labirinto de paixões” (Laberinto de pasiones). Aqui arranca o filme e o tórrido encontro entre os dois protagonistas interpretados por Imanol Arias e Cecilia Roth.

Quartel do Conde Duque

(Conde Duque, 9) “Regue-me! Não se corte”. É uma das suas cenas mais famosas. A personagem interpretada por Carmen Maura pede-lhe a um operário municipal que a alivie do sufocante calor estival em “A lei do desejo” (La ley del deseo).

A rua de Arenal

Almodóvar rodou o final de “Em Carne Viva” (Carne trémula) na rua de Arenal, aproveitando a decoração natalícia. Um dos planos do filme incluía o bar Museo del Jamón que existe no início da rua. O realizador rodava incógnito desde o interior de uma furgoneta, e na rua os transeuntes misturavam-se com alguns extras contratados para o filme. A rodagem prolongou-se durante horas, e mais tarde, ao examinar as sequências filmadas, Almodóvar reparou que em todas elas se via um homem que esperava à porta do bar. “Suponho que esse homem tinha marcado encontro com alguém que não aparecia”. O homem em questão tem óculos, e aparece fugazmente no final do filme.

Madrid de postal

O percurso pelo Madrid de Almodóvar coincide pouco os percursos que oferecem os autocarros turísticos, com um par de exceções. A Plaza Mayor em “A Flor do Meu Segredo” (La flor de mi secreto) e o “travelling” noturno sobre a Puerta de Alcalá, que serviu de fundo para os créditos iniciais de “Em Carne Viva” (Carne trémula).

Uma cidade de papier machê

Em “Kika” Almodóvar apenas filmou em exteriores reconhecíveis. Mas o realizador conseguiu que não faltassem alguns lugares emblemáticos da cidade. Num dos quartos da moradia havia maquetas da torre Madrid, das torres Kio e da torre Europa. A paisagem que serve de decoração de fundo no apartamento da personagem interpretada por Verónica Forqué representa a torre Picasso, que também aparece no filme “Abraços Partidos” (Los abrazos rotos): é a paisagem que se vê do escritório onde trabalha o milionário que interpreta José Luis Gómez.

Cemitérios, comboios e aeroportos

Os locais de Madrid que mais se repetem nos filmes de Almodóvar são o cemitério de la Almudena e o Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas. Sempre atento às transformações da cidade, em “Kika” o realizador estreou a estação do AVE em Atocha com o esquisito “travelling” da chegada do personagem interpretado por Peter Coyote a Madrid. Alguns anos depois, em “Tudo Sobre Minha Mãe” (Todo sobre mi madre), Cecilia Roth voltaria a utilizar o AVE, desta vez para viajar entre Barcelona e Madrid. Almodóvar adiantou-se ao seu tempo. O AVE ainda não tinha chegado à capital da Catalunha.

O cocktail-bar Museo Chicote

Uma das cenas principais de “Abraços Partidos” tem lugar neste emblemático cocktail-bar (Gran Vía, 12), pelo qual passaram as estrelas mais destacadas do panorama nacional e internacional. Se as paredes de Chicote falassem, contariam como Ava Gardner seduziu o célebre toureiro Luis Miguel Dominguín. Em “Abraços Partidos”, a personagem interpretada por Blanca Portillo ganha ânimo à base de gin-tonics para contar a sua verdade, que escondeu durante tantos anos.

A Coroa de Espinhos

A sede do Instituto do Património Histórico Espanhol (El Greco, 4. Cidade Universitária), conhecida como A Coroa de Espinhos, foi o cenário escolhido para que a vingativa personagem de Antonio Banderas em “A Pele que Habito” (La piel que habito) pronuncie uma conferência. Para o arquiteto Richard Rogers, este edifício transpira "criatividade e energia até ao mais pequeno pormenor ". Trata-se de uma obra dos arquitetos Fernando Higueras e Antonio Miró, de estilo orgânico, que se começou a construir em meados dos anos 60. O realizador escolheu este edifício para esta cena pela sua expressividade, que contribui eficazmente para a ação narrativa.

Viaduto de Segóvia

É um exemplo do racionalismo arquitetónico madrileno dos anos 30 (embora não tenha sido inaugurado até 1949) aplicado às infraestruturas urbanas. O viaduto une em altura o Palácio Real e a zona de Vistillas. No imaginário popular dos madrilenos foi um lugar tradicional para os suicidas. Essa relação com a morte foi plasmada por Almodóvar em “Matador”, um filme sobre a paixão levada ao extremo, e sobretudo no seu último filme, “Amantes Passageiros” (Los amantes pasajeros), uma comédia provocadora, praticamente filmada totalmente em estúdio, mas onde a personagem de Paz Vega protagoniza uma tentativa de suicídio precisamente neste lugar.

Outras ruas e recantos “almodovarianos”

Rua Montalbán, 7. O ático do sétimo piso era a casa onde vivía Pepa (Carmen Maura) em “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (Mujeres al borde de un ataque de nervios). Como fundo, o skyline de Gran Vía com o emblemático edifício da Telefónica.

Rua Almagro, 38. Casa da família de Antonio Banderas em “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”.

Rua de Sevilla, 3. Casa da protagonista em “Kika”.

Villa Rosa (Plaza de Santa Ana, 15). Local onde atuava o transformista Miguel Bosé em “De Salto Alto” (Tacones lejanos).

Teatro María Guerrero (ruas Tamayo e Baus). Teatro onde cantava Marisa Paredes em “De Salto Alto”.

Café do Círculo de Belas Artes (rua Alcalá, 42). Lugar onde se reuniam os protagonsitas interpretados por Victoria Abril e Peter Coyote para discutir um guião em “Kika”.

Plaza del Alamillo. Lugar onde se situava a cave-receção onde vivia Marisa Paredes em “De Salto Alto”.

Plaza de Puerta de Moros. Lugar onde a personagem de Leo (Marisa Paredes) tenta tirar os botins no início de “A Flor do Meu Segredo” (La flor de mi secreto).

Paseo de Eduardo Dato, 18. Casa das personagens interpretadas por Javier Bardem e Francesca Neri em “Em Carne Viva”.

Rua Segovia. Nessa zona, debaixo do viaduto com o mesmo nome, vive a personagem que interpreta Lluis Homar em “Abraços Partidos”.

Cock (rua Reina, 16). Aqui trabalhava como disc-jockey a personagem de Tamar Navas em “Abraços Partidos”.

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