O ciclo Fronteras reúne duas figuras icónicas da interpretação lírica historicista: o contratenor Philippe Jaroussky, uma das vozes mais admiradas e personalizadas da atualidade, e a carismática Christina Pluhar, diretora e fundadora do inovador ensemble L’Arpeggiata, num recital previsto para o dia 26 de fevereiro, na Sala Sinfónica do Auditório Nacional de Música.
O programa, a que deram o título de Passacalle de la follie, constitui uma viagem fascinante pelo repertório vocal e instrumental do seicento europeu e no refinado universo dos salões da corte francesa, sem esquecer a influência italiana e espanhola.
O programa, eclético e sugestivo, celebra a liberdade de expressão e a fantasia do período barroco, alternando peças melancólicas, danças populares, árias de amor e obras instrumentais ceias de virtuosismo e improvisação. Composições de Monteverdi, Purcell, Lambert, Moulinié, Cazzati e Rossi convivem com outras menos conhecidas de autores como Boësset, Bataille e Matteis, em arranjos da autoria da própria Christina Pluhar.
Distinguido nos prémios Victoires de la Musique como Artista Revelação em 2004, Philippe Jaroussky possui um extenso repertório como solista no âmbito da música antiga, desde o seicento italiano até Bach, passando por Monteverdi, Sances, Rossi, Händel e Vivaldi. Em 2017 lançou o disco The Händel Album (2017) integralmente dedicado ao compositor alemão Georg Friedrich Händel.
Além do prémio Victoires de la Musique (Artista Lírico Revelação em 2004 e Melhor Artista Lírico em 2007 e 2010), Jarousski recebeu também o prémio Echo Klassik (Intérprete do Ano, em Munique (2008), com L’Arpeggiata em Dresde (2009), e em Berlim (2016), entre outros reconhecimentos.
Ficha artística:
Auditório Nacional de Música - Sala Sinfónica
- Contratenor - Philippe Jaroussky
- Ensemble musical - L’Arpeggiata
- Tiorba e direção - Christina Pluhar
Programa:
Passacalle de la follie
Antoine Boësset (ca. 1586-1643)
- Nos esprits libres et contents (Balet de la reyne, 1609, arr. C. Pluhar)
- À la fin de cette bergère (Árias da corte com 4 & 5 partes, livre iv, 1624, arr. C. Pluhar)
Gabriel Bataille (ca. 1574-1630)
- El baxel está en la playa (árias de diferentes autores transpostas para tablatura de alaúde por Gabriel Bataille, livro ii, 1609, arr. C. Pluhar)
Nicola Matteis (ca. 1650-1703)
- La dia spagnola (arr. C. Pluhar, improvisação)
Henry du Bailly (?-1637)
- Yo soy la locura (1614, arr. C. Pluhar)
Pierre Guédron (ca. 1570-ca. 1620)
- Aux plaisirs, aux délices (1614, arr. C. Pluhar)
Lorenzo Allegri (1567-1648)
- Canario (arr. C. Pluhar, improvisação)
Étienne Moulinié (1599-1676)
- Il sort de nos corps emplumés (Concert des différents oiseaux) (árias de corte de diferentes autores, livre iv, 1624, arr. C. Pluhar)
- Orilla del claro Tajo (árias com tablatura para alaúde, livre iii, 1629, arr. C. Pluhar)
- Enfin la beauté (Airs avec la tablature de luth de Estienne Moulinié, 1624)
Michel Lambert (ca. 1610-1696)
- Ma bergère est tendre et fidèle (Árias, 1639)
Giovanni Antonio Pandolfi Mealli (1624-1670)
- Sonata n.º 6 em ré menor ‘La Vinciolina’, op. 4 (1660)
Claudio Monteverdi (1567-1643)
- Sì dolce è’l tormento, SV 332 (1624)
- ‘Oblivion soave’, de L’incoronazione di Poppea, SV 308 (1642)
- Ohimè, ch’io cado, SV 316 (1624, arr. C. Pluhar, improvisação)
Maurizio Cazzati (1616-1678)
- Ciaccona (ms. Rust, arr. C. Pluhar, improvisação)
Luigi Rossi (1598-1653)
- De Orfeo (1647)
- ‘Dormite, begl’occhi’
- ‘Lasciate, Averno’
Henry Purcell (1659-1695)
- The curtain tune, de The tempest, Z 631 (1674)
- Music for a while, Z 583/2 (1692)